Prazos e DJEN

DJEN ou DJE: a diferença entre o diário nacional e o do tribunal

Três siglas parecidas, duas vias de comunicação e uma substituição em curso. O que cada uma é, onde se consulta e o que muda na hora de contar o prazo.

Por Equipe Juspronto · Publicado em 9 de agosto de 2026

Conteúdo informativo, com a norma citada em cada afirmação. Não substitui a orientação jurídica no caso concreto, que depende do rito, do tribunal e da via da comunicação.

DJEN é o Diário de Justiça Eletrônico Nacional, o diário único do Judiciário regulamentado pela Resolução CNJ 455/2022. DJE é o diário próprio de cada tribunal, que o DJEN substitui (art. 12). Para o advogado, isso significa um lugar só para conferir, e prazo que corre da publicação.

As três, lado a lado

Comparação entre o diário nacional, os diários eletrônicos dos tribunais e o Domicílio Judicial Eletrônico, com a norma de cada linha. O ritmo da substituição dos diários locais varia por tribunal.
DJENDJE do tribunalDomicílio Judicial Eletrônico
O que éDiário oficial único do Poder JudiciárioDiário eletrônico próprio de cada tribunalAmbiente digital de comunicação processual
NormaRes. CNJ 455/2022, arts. 11 e 12Lei 11.419/2006, art. 4ºRes. CNJ 455/2022, art. 20
Onde se consultacomunica.pje.jus.br, aberto e gratuitoPortal de cada tribunalPortal de Serviços do Poder Judiciário, com login
Para quem vaiPublicações dirigidas ao advogado, como as intimaçõesO que o tribunal ainda publica ali durante a transiçãoPartes e terceiros, incluindo citações e comunicações pessoais
Contagem do prazoDa publicação, que é o dia útil seguinte à disponibilização (CPC, art. 224, §§2º e 3º)Mesma regra do art. 224 do CPC enquanto o diário estiver em usoHá prazo de consulta antes de a comunicação se considerar realizada, com contagem própria
SituaçãoEm vigor e obrigatório para os tribunais alcançados pela resoluçãoEm extinção gradual, substituído pelo DJENEm vigor, via distinta e paralela ao DJEN
Comparação entre o diário nacional, os diários eletrônicos dos tribunais e o Domicílio Judicial Eletrônico, com a norma de cada linha. O ritmo da substituição dos diários locais varia por tribunal.

De onde o DJEN veio

O DJEN e o Domicílio Judicial Eletrônico foram criados pela Resolução CNJ 234/2016 e passaram a ser regulamentados pela Resolução CNJ 455/2022, de 27 de abril de 2022. É o art. 11 dessa resolução que define o DJEN como o instrumento de publicação dos atos judiciais dos órgãos do Poder Judiciário, e o art. 12 que diz, com todas as letras, que ele substitui os diários de justiça eletrônicos mantidos por esses órgãos.

A Resolução CNJ 569/2024 deu nova redação ao §3º do art. 11, deixando expresso que os prazos processuais correm a partir da publicação no DJEN, na forma do art. 224 do CPC. A integração dos tribunais foi concluída em 15 de maio de 2025, depois da prorrogação de 60 dias concedida pela Presidência do CNJ a pedido do Conselho Federal da OAB.

Há uma exceção declarada. O art. 27 da Resolução 455/2022 afirma que as normas ali previstas não alcançam o Supremo Tribunal Federal, que, todavia, poderá integrar-se ao Portal de Serviços, ao DJEN e ao Domicílio Eletrônico. Adesão facultativa significa que intimação do Supremo não é algo que se possa presumir encontrado no diário nacional.

O que mudou na prática para o advogado

A mudança mais dura não foi a mudança de endereço, foi a mudança de gatilho. Antes, sistemas como o PJe davam uma janela para abrir a comunicação antes de o prazo começar. No DJEN não existe essa janela: o prazo corre da publicação, tenha o advogado aberto a publicação ou não. A consequência prática é que conferir o diário deixou de ser zelo e virou obrigação diária.

A segunda mudança é boa. Antes da unificação, um escritório com processos em vários estados precisava vigiar um diário por tribunal. Com a substituição prevista no art. 12, a vigilância se concentra em um endereço público, comunica.pje.jus.br, gratuito e sem login. Isso simplifica o trabalho e, ao mesmo tempo, tira do advogado a desculpa de que a publicação estava escondida em algum lugar difícil.

A terceira é que continuam sendo duas vias. As comunicações dirigidas à própria parte, como as citações, seguem pelo Domicílio Judicial Eletrônico, que tem prazo de consulta próprio antes de a comunicação se considerar realizada (Resolução CNJ 455/2022, art. 20; Lei 11.419/2006, art. 5º, §3º). Quem vigia só o DJEN está descoberto na outra ponta.

Por que as siglas se confundem

Vale nomear a armadilha. DJEN é o diário nacional. DJE, na origem, é o diário de justiça eletrônico de um tribunal, na forma do art. 4º da Lei 11.419/2006. Mas muita gente, inclusive material de tribunal e de fornecedor, usa DJE como abreviação de Domicílio Judicial Eletrônico, que é outra coisa inteiramente. Antes de aceitar uma afirmação sobre prazo, vale conferir a qual das três a sigla se refere naquele texto.

O passo seguinte é contar

Saber de onde a publicação veio resolve metade do problema. A outra metade é a contagem, com as duas datas que não contam e os dias úteis do art. 219 do CPC. O passo a passo, com exemplo dia a dia e a lista de feriados de 2026, está em como contar prazo do DJEN, e a conta pronta na calculadora de prazo DJEN, que é gratuita e roda no seu navegador.

Para não depender de abrir o diário todo dia útil, veja o que perguntar a um fornecedor de monitoramento de publicações. E a definição curta e citável está no verbete DJEN.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre DJEN e DJE?

O DJEN, Diário de Justiça Eletrônico Nacional, é o diário único do Poder Judiciário, regulamentado pela Resolução CNJ 455/2022 e consultável em comunica.pje.jus.br. Os DJEs são os diários de justiça eletrônicos mantidos por cada tribunal, criados no regime da Lei 11.419/2006. O art. 12 da Resolução 455/2022 diz expressamente que o DJEN substitui os diários eletrônicos mantidos pelos órgãos do Poder Judiciário, o que coloca os DJEs em extinção gradual.

O DJE do meu tribunal deixou de existir?

Não de uma vez. A substituição prevista no art. 12 da Resolução CNJ 455/2022 vem sendo feita por etapas, tribunal por tribunal, e muitos diários locais seguem no ar durante a transição, inclusive para matéria administrativa. O que mudou é qual diário faz fé para a comunicação processual dirigida ao advogado: essa passou a sair pelo DJEN.

O STF publica no DJEN?

Não por obrigação. O art. 27 da Resolução CNJ 455/2022 diz que as normas da resolução não alcançam o Supremo Tribunal Federal, que poderá integrar-se ao Portal de Serviços, ao DJEN e ao Domicílio Eletrônico. Ou seja, a adesão do STF é facultativa. Quem depende de intimação do Supremo precisa continuar acompanhando o diário próprio do tribunal.

Domicílio Judicial Eletrônico é a mesma coisa que DJEN?

Não, e a confusão é comum porque os dois nasceram no mesmo ato normativo e o Domicílio também é abreviado como DJE em muitos textos. O DJEN é o diário onde saem as publicações, tipicamente as intimações dirigidas ao advogado. O Domicílio Judicial Eletrônico é o ambiente digital de comunicação processual dirigido às partes e a terceiros, e é por ele que correm as citações e as comunicações que exigem pessoalidade. São duas vias, com regras próprias de contagem.

Onde eu consulto o DJEN?

Em comunica.pje.jus.br, o portal público mantido pelo CNJ, sem login e sem custo. A consulta é por tribunal, por período e pelos dados da comunicação, e é ali que se confere a data de disponibilização, que é o ponto de partida da contagem do prazo.

Um lugar só, conferido todo dia útil

O Juspronto acompanha o DJEN pelas OABs cadastradas, conta o prazo da publicação e registra o log de cobertura. Teste 7 dias com cartão, a primeira cobrança entra no 8º dia.